Do caos de São Paulo ao underground, o som brutal do Trágico
Diretamente de São Paulo/SP, o Trágico surge como uma das vozes intensas do punk nacional. Formada por Fernando (vocal), Amanda (baixo), Fejones (guitarra) e Déda (bateria), a banda carrega no som a crueza do punk, com letras afiadas que refletem um mundo injusto e a energia de quem encontra na música uma forma de resistência e expressão.
A história começou quando Déda e Amanda decidiram dar vida a um novo projeto. O grupo ganhou forma com a chegada de Fernando e, posteriormente, de Fejones, que trouxe novas referências e ajudou a consolidar a identidade atual. Definir o estilo do Trágico passa inevitavelmente pelo punk. Como a própria banda afirma, esse rótulo já diz muito, mas eles não se limitam a subgêneros, preferindo mesclar tudo o que os inspira. No fim, brincam dizendo que o resultado é “Punk BR”.
As influências são vastas: do Reino Unido dos anos 80 ao Hardcore japonês e sueco, passando pela força sul-americana. Mas é no Brasil que encontram sua maior base, com inspirações de Restos de Nada, Inocentes, Cólera, DZK e de Ratos de Porão em sua fase punk. Além disso, as vivências em outras bandas também ajudam a moldar a sonoridade. O resultado é um som direto, cru e intenso.
As letras, por sua vez, refletem o peso da realidade: guerras, violência policial, desigualdade social e a falta de perspectiva de futuro. Em algumas músicas, o tom é mais existencialista e autobiográfico, como em “Monstro em Mim” e “Vida Amarga”. Outras faixas, como “Mausoléu”, “Máquinas” e “Me Fuder”, exploram as incertezas do amanhã. Para a banda, existir nesse contexto já é um ato político, e a mensagem é clara: mesmo diante do caos, é preciso resistir, se manter de pé e incomodar.
Do vinil aos clipes: identidade visual e som do Trágico

O primeiro trabalho lançado foi o álbum “Vida Amarga”, disponível em vinil, CD e plataformas digitais. Falamos dele em nossa matéria sobre a cena atual e o retorno do formato físico no underground. O processo de gravação contou com a produção de Fabio (Hardcaos), que ajudou a moldar o som e trouxe tranquilidade ao processo. O resultado final deixou a banda muito satisfeita, mesmo com a tensão natural de estarem gravando seu primeiro disco completo.
Desde o início, o Trágico sabia que o material deveria sair em formato físico. Primeiro em CD digisleeve, diagramado por Amanda, e depois em vinil, em parceria com selos independentes. Para eles, a parte gráfica é essencial para dar identidade ao trabalho, ajudando a traduzir o clima das músicas. Essa mesma atenção ao visual se estende aos clipes, que são vistos como uma forma de ampliar a mensagem. A banda já lançou três: “Máquinas” e “Monstro em Mim”, gravados e editados de forma independente por Déda, e “Ponta de Faca”, dirigido por Anderson Alonso. Outros dois estão a caminho.
Confira abaixo o clipe de “Monstro em Mim“:
Palco, projetos e bastidores: a vida do Trágico em ação
No palco, o Trágico já viveu momentos importantes, como a participação em eventos como o Metalpunk Overkill, Soco da Fuça Fest e Som Punk na Cidade, além do lançamento de seu primeiro álbum e de seu show de estreia. Agora, se preparam para uma série de apresentações ainda em 2025: 3/10 no Depois Fim do Mundo (SP), 11/10 no DDP Fest (Casa de Cultura Butantã e Mogi das Cruzes), 26/10 no HC Solidário (SP), 9/11 no Porão da Cerveja (SP), 29/11 no Cafundó (SP) e 20/12 no Veganaassoo (SP).
Além da própria trajetória, os integrantes também se dividem em outros projetos. Fernando e Déda fazem parte da Herdeiros do Ódio, enquanto Fejones atua no Tempos de Morte e já passou pela Nuclear Frost. Essas experiências paralelas acabam enriquecendo ainda mais a proposta do Trágico.
Entre as curiosidades da banda, uma das histórias mais marcantes é sobre a música “Monstro em Mim”, que foi gravada sem letra definida. Fernando escreveu os versos posteriormente, inspirado na métrica de “Amor Inimigo”, das Mercenárias, e voltou ao estúdio duas semanas depois para registrar os vocais. O resultado se tornou uma das faixas mais intensas do disco.
Com letras afiadas, energia bruta e uma forte ligação com o underground, o Trágico reforça a relevância do punk paulistano e prova que a chama do “faça você mesmo” segue mais viva do que nunca.
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