Arquivo de Arte Urbana - Attack Urbano https://www.attackurbano.com.br/tag/arte-urbana/ Cultura Underground Tue, 23 Sep 2025 21:57:32 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://www.attackurbano.com.br/wp-content/uploads/2025/05/cropped-icone-granada-32x32.png Arquivo de Arte Urbana - Attack Urbano https://www.attackurbano.com.br/tag/arte-urbana/ 32 32 O dia que estive na East Side Gallery e encarei o Muro de Berlim https://www.attackurbano.com.br/2025/09/23/east-side-gallery-berlim/ https://www.attackurbano.com.br/2025/09/23/east-side-gallery-berlim/#respond Tue, 23 Sep 2025 06:08:40 +0000 https://www.attackurbano.com.br/?p=1879 Descubra a East Side Gallery em Berlim: murais históricos, arte urbana e histórias do Muro de Berlim em fotos e relatos de viagem.

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Já mostrei aqui sobre o dia que conheci a Brick Lane em Londres, e alguns dias antes, em agosto de 2024, estive na East Side Gallery, em Berlim, famosa por seus murais e arte urbana espalhados pelo muro. Assim como Londres, Berlim também é um museu a céu aberto: partes da história estão por toda a cidade, e a arte urbana aparece nos lugares mais inesperados.

O Muro de Berlim: História e Significado

Em agosto de 1961, a Alemanha Oriental (RDA), apoiada pela União Soviética, ergueu o Muro de Berlim, separando Berlim Ocidental e Berlim Oriental. O objetivo era conter a fuga em massa de cidadãos para o lado ocidental, que representava liberdade e capitalismo.

O muro se estendia por mais de 150 km, com torres de vigilância, fossos e cercas de arame farpado. Durante quase três décadas, centenas de pessoas perderam a vida tentando atravessá-lo, enquanto milhares de famílias ficaram divididas.

Mais do que concreto, o muro virou símbolo da Guerra Fria, da repressão e da separação ideológica do mundo.

Em 9 de novembro de 1989, após protestos e pressões políticas, o muro finalmente caiu. As imagens de cidadãos destruindo o concreto se tornaram ícones da liberdade reconquistada.

A East Side Gallery: arte, memória e liberdade

Após a queda do Muro de Berlim, a cidade se viu diante de uma questão: o que fazer com os trechos que ainda permaneciam? Enquanto muitos blocos de concreto foram demolidos ou vendidos como souvenirs, um trecho de 1,3 km às margens do rio Spree foi preservado graças à iniciativa de artistas, ativistas e da comunidade local. A proposta era transformar o símbolo da divisão em um espaço de memória e expressão artística, criando algo que celebrasse a liberdade recém-conquistada.

Em 1990, mais de 100 artistas de diversos países pintaram diretamente sobre o concreto, dando origem à East Side Gallery — a maior galeria de arte a céu aberto do mundo. Cada mural carrega uma mensagem: alguns criticam a opressão e regimes autoritários, outros celebram liberdade, esperança e paz. Entre eles há sátiras políticas, homenagens a figuras históricas, abstrações e obras que capturam sentimentos universais de resistência e transformação.

A galeria rapidamente se tornou um símbolo cultural internacional, atraindo turistas e artistas interessados em testemunhar e participar dessa fusão entre história e arte urbana. Ao longo dos anos, a East Side Gallery também precisou lidar com a preservação das obras: desgaste do tempo, vandalismo e restaurações fazem parte de seu ciclo de vida, reforçando sua condição de espaço vivo e em constante transformação.

Mais do que uma atração turística, a East Side Gallery é um memorial visual, registrando a transição de uma Berlim dividida para uma cidade unificada, e mostrando como a arte pode transformar muros em instrumentos de diálogo, crítica e resistência.

Os clássicos da galeria

“O beijo fraternal” – Dmitri Vrubel (1990)
Talvez o mural mais famoso da galeria, também é o mais complicado de se fotografar: as pessoas param para tirar fotos, formando filas e selfies. Eu demorei para conseguir um clique sem ninguém na frente.
Inspirado numa foto real de 1979, retrata o beijo entre Leonid Brezhnev e Erich Honecker, líderes da União Soviética e da RDA. A frase abaixo — “Meu Deus, ajuda-me a sobreviver a este amor mortal” — reforça a crítica à relação sufocante entre regimes políticos.

“Trabant atravessando o muro” – Birgit Kinder
Um dos murais mais icônicos da East Side Gallery, retrata o carro símbolo da Alemanha Oriental explodindo o concreto, representando a liberdade de movimento e a quebra das barreiras impostas pelo regime. Fotografar aqui é mais tranquilo, mas ainda assim o movimento de turistas exige paciência para conseguir um clique limpo.

“Mauerspringer (O Saltador de Muros)” – Gabriel Heimler
Este mural captura a essência da coragem e do impulso humano de romper barreiras. A figura representada parece estar em movimento, quase como se estivesse congelada no ar, saltando sobre o muro. A composição dinâmica transmite sensação de liberdade, urgência e superação, reforçando o tema da fuga e da resistência. É uma obra que impressiona pelo movimento e pela energia que transmite, lembrando que mesmo estruturas rígidas podem ser ultrapassadas com coragem e determinação.

“Obrigado, Andrei Sakharov” – Dmitri Vrubel e Viktoria Timofeeva
Homenagem ao físico e dissidente soviético Andrei Sakharov, defensor dos direitos humanos. O mural destaca a importância de vozes corajosas em tempos de opressão, e é relativamente fácil de registrar em foto, mas ainda assim é impressionante ver a dimensão do mural pessoalmente.

“Solução diagonal para um problema” – Michail Serebrjakow
Composição abstrata que sugere soluções criativas para problemas rígidos. A fotografia captura bem o contraste das cores e linhas diagonais, mas a intensidade das cores muda conforme a luz do dia, então cada clique pode ser diferente.

Minhas fotos da East Side Gallery

Após apresentar os murais mais conhecidos, segue mais algumas artes de outros trechos da galeria que registrei, mostrando tanto outros murais oficiais quanto a parte livre da galeria, repleta de grafites, pixações e intervenções espontâneas.



Arte nos arredores

A região próxima à East Side Gallery é cheia de intervenções urbanas, e além das obras oficiais da galeria, existe um lado mais livre, com pixações, grafites e murais espontâneos. Confira algumas outras artes da região:

Memória, liberdade e arte

Caminhar pela East Side Gallery é atravessar fronteiras — não apenas do passado, mas também da própria arte. O muro que antes separava pessoas hoje inspira, colore e lembra que a liberdade precisa ser conquistada, defendida e celebrada.

A cidade, assim como a galeria, mostra que a arte urbana pulsa nas ruas, resiste ao tempo e transforma concreto em história viva.

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O dia que conheci a Brick Lane sem saber o que era a Brick Lane https://www.attackurbano.com.br/2025/09/04/o-dia-que-conheci-a-brick-lane-sem-saber-o-que-era-a-brick-lane/ https://www.attackurbano.com.br/2025/09/04/o-dia-que-conheci-a-brick-lane-sem-saber-o-que-era-a-brick-lane/#respond Thu, 04 Sep 2025 04:49:33 +0000 https://www.attackurbano.com.br/?p=1644 Em 2024 tive a oportunidade de fazer, pela segunda vez, uma viagem para a Europa, desta vez passando por 9 cidades em 5 países. Uma dessas cidades foi Londres, ao qual sempre tive o sonho de conhecer e ver de perto algumas referências e influências que sempre tive deste lugar… Afinal, Londres é o berço do Punk.

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Em 2024 tive a oportunidade de fazer, pela segunda vez, uma viagem para a Europa, desta vez passando por 9 cidades em 5 países. Uma dessas cidades foi Londres, ao qual sempre tive o sonho de conhecer e ver de perto algumas referências e influências que sempre tive deste lugar… Afinal, Londres é o berço do Punk.

Entre alguns rolês por esta “eurotrip”, o roteiro programado contou com muita coisa que admiro e sempre quis conhecer… Conferi de perto o festival mais Punk Rock do mundo, o Rebellion Festivals em Blackpool (Inglaterra), visitei o Museu Banksy de Bruxelas (Bélgica) e também o Museu Van Gogh em Amsterdã (Holanda), o museu mais foda que já fui na vida… Estive também no estádio Millerntor-Stadion em Hamburgo (Alemanha), o estádio do time de futebol mais punk que existe, o St. Pauli.

Em todas as viagens que faço, sempre presto muita atenção nas artes urbanas locais, e o que toma mais espaço da memória do meu celular são os grafites. Passei por Berlim, na Alemanha, onde é um prato cheio com artes por diversas regiões e ruas, principalmente na East Side Gallery, pedaço do famoso Muro de Berlim que é uma galeria de arte a céu aberto.

E foi justamente nessa vibe — de me perder pelas ruas atrás de arte, de muros rabiscados e expressões de resistência — que, em Londres, acabei caindo sem querer em um dos lugares mais icônicos da cidade: a Brick Lane.

No meu roteiro não estava escrito “ir para a Brick Lane”, e talvez essa seja a parte mais incrível. Eu só estava explorando a região de Shoreditch, que já tem fama de alternativa, e de repente me vi cercado por grafites, paredes inteiras tomadas por cores, colagens, frases… Era como andar em uma galeria aberta, viva, pulsante. A cada esquina parecia que surgia uma nova surpresa.

Foi só depois, pesquisando na internet, que percebi a dimensão cultural daquele espaço. A Brick Lane não é só uma rua: é um ponto de encontro de artistas, coletivos independentes, mercados de rua, brechós, comida típica de diferentes partes do mundo e, principalmente, arte urbana em sua forma mais pura. Um lugar onde o underground e o mainstream se encontram, mas ainda com uma energia caótica e autêntica.

Estar diante do mural dos “Three Monkeys over Brick Lane”, obra de Banksy que eu só conhecia por livros e pela internet, foi um choque. De repente eu estava ali, em uma noite, frente a frente com algo que parecia distante, intocável, parte de uma mitologia do underground que de repente ganhava vida diante dos meus olhos. Saí dali com uma certeza: no dia seguinte eu voltaria para explorar cada pedaço daquela rua, mas agora à luz do dia.

E assim fiz. Logo cedo, caminhei novamente até a Brick Lane, e a experiência foi completamente diferente. Se à noite o lugar parecia uma cena vibrante, cheia de luzes e pessoas circulando, de dia ele se revelou em detalhes. Cada muro tinha uma assinatura, cada porta era tomada por cores e camadas de histórias sobrepostas. Era como se a rua respirasse cultura.

Além dos grafites, me deparei com mercados de rua, lojinhas independentes, brechós escondidos e restaurantes com aromas de várias partes do mundo — comida indiana, bangladeshiana, turca, pizzas, hambúrgueres artesanais. A diversidade era impressionante, e a Brick Lane parecia condensar em poucos quarteirões um mundo inteiro de expressões alternativas.

O que mais me marcou foi perceber que a rua não era apenas um “ponto turístico”, mas um espaço vivo, que muda constantemente. Não existe “a” Brick Lane definitiva: a cada dia, uma nova pintura, uma nova colagem, uma nova intervenção pode surgir e transformar a paisagem. É arte em movimento, feita para ser vista e sentida naquele instante.

Caminhar pela Brick Lane me fez entender algo importante: muitas vezes, os melhores momentos de uma viagem não estão nos roteiros planejados, mas nos encontros inesperados. Descobrir aquele lugar sem saber exatamente onde estava foi uma das experiências mais intensas que já tive em Londres — e certamente uma das memórias que vou carregar para sempre.


Descobertas na Brick Lane

Gueixa de Danktichener

Uma das fotos que tirei mostra um grafite impressionante de uma gueixa, assinado pelo artista Danktichener. A obra chama atenção pelo uso vibrante de cores, principalmente tons de vermelho e azul, e pelo detalhe minucioso nos traços do rosto e do quimono, que transmitem delicadeza e força ao mesmo tempo.

“A Couple Hold Hands in the Street” de Tom Nickel

O mural “A Couple Hold Hands in the Street”, do artista Tom Nickel, pintado em uma porta vermelha, mostra dois homens de palito de mãos dadas. A simplicidade da imagem contrasta com a força da mensagem: amor, união e inclusão. Tirar uma foto dela foi quase inevitável, impossível não capturar a essência daquele momento.

Space Invader e Obey

Outra peça impressionante foi de Space Invader, localizada bem ao lado de uma obra do Shepard Fairey “Obey“. O contraste entre o pixel art lúdico de Space Invader e o estilo político e icônico de Obey cria um diálogo visual impactante, mostrando como a Brick Lane funciona como um mosaico vivo de diferentes linguagens e referências culturais.

Ateliê de Adrian Brocolli

Além disso, tive a oportunidade de visitar o ateliê do artista Adrian Brocolli, onde pude ver todas as obras dele focadas em brocolis. Cada peça era criativa, engraçada e extremamente detalhada, mostrando que a Brick Lane não é apenas sobre murais e grafites, mas também espaços que celebram ideias inusitadas e originais, reforçando o espírito experimental e inventivo da região.


Minhas fotos da Brick Lane

Essa é a primeira vez que mostro as fotos que tirei. Na época, postei poucas coisas no meu Instagram, então deixo para vocês com exclusividade os cliques que fiz em vários pontos da região da Brick Lane.

Abaixo, você vai encontrar uma galeria completa com minhas fotos — cada clique é um pedaço da rua, dos murais, das intervenções e das cores que fazem da Brick Lane um lugar único. Algumas imagens já apareceram na seção de artistas, mas agora você pode ver tudo junto, como se estivesse caminhando comigo pelas ruas.



Conclusão: o encanto da Brick Lane

Saindo da Brick Lane, percebi que aquela rua não é apenas um ponto turístico ou um local de fotos bonitas. Ela é um organismo vivo, cheio de histórias, cores, mensagens e pessoas que circulam, criam e interagem. Cada parede, cada porta, cada intervenção conta algo sobre a cultura urbana, sobre quem vive ali e sobre quem passa por ali, mesmo que só por alguns minutos.

O que torna a Brick Lane tão especial é justamente essa mistura de espontaneidade e expressão artística, onde artistas consagrados, talentos locais e visitantes se encontram, às vezes sem perceber, para celebrar criatividade e diversidade. Estar lá sem saber exatamente o que encontrar me permitiu sentir a rua de forma genuína, sem expectativas, apenas absorvendo o momento.

Hoje, quando vejo as fotos e lembro do dia, sinto que a Brick Lane é muito mais do que cores e grafites: é uma experiência de descoberta, um espaço que ensina a importância de estar atento, de se perder e de se encantar com o inesperado. Uma lição de que, às vezes, as melhores memórias vêm de lugares que a gente encontra sem planejar.

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Street of Styles – Encontro Internacional de Graffiti https://www.attackurbano.com.br/2015/04/16/street-of-styles-encontro-internacional-de-graffiti/ https://www.attackurbano.com.br/2015/04/16/street-of-styles-encontro-internacional-de-graffiti/#respond Thu, 16 Apr 2015 17:30:20 +0000 http://www.attackurbano.com.br/?p=376 Nos dias 10, 11 e 12 de abril, a capital paranaense recebeu mais uma edição do “Street of Styles – Encontro Internacional de Graffiti”. O evento traz artistas de 18

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Nos dias 10, 11 e 12 de abril, a capital paranaense recebeu mais uma edição do “Street of Styles – Encontro Internacional de Graffiti”.

O evento traz artistas de 18 estados do Brasil e de outros 16 países para uma das maiores galerias a céu aberto da cidade, com espaços para 250 escritores de Graffiti convidados e 150 espaços paralelos proporcionando um acesso livre a cultura popular das grandes metrópoles. O evento aconteceu no Portal do Futuro localizado no Bairro Novo (Sítio Cercado) e Caic Bairro Novo (Sítio Cercado).

Em 2015, essa festa teve um novo formato incluindo diversas atividades para o público se divertir, como: 2 palcos com mais de 40 atrações musicais, batalhas de break, paredão de escalada, circuitos de skate com competições, workshops, lounges para descanso, área de recreação infantil e o principal, grandes murais.

A cobertura fotografica do evento ficou por conta da REVISTHA.

Veja algumas fotos do evento:

Confira a cobertura completa com as fotos do Street of Styles na fanpage da REVISTHA.

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