Scena Zine: Faça Você Mesmo
Hoje apresento a vocês o Scena Zine, um fanzine ou apenas “zine” que tem o ideal muito parecido com o do Attack Urbano: apresentar bandas/conteúdos do underground. Confesso que não sei nem como começar esta matéria, pois é um assunto que eu gosto e me identifico muito, aliás o Scena Zine foi uma das influências que tive para criar o Attack, sendo que sempre fui próximo a este ideal Faça Você Mesmo que o Zine representa.
Deixando o “blá blá blá” de lado, vamos ao que interessa, diretamente de Americana (SP), Júlio nosso amigo e o criador do Scena bateu um papo e nos contou toda a trajetória de como surgiu a ideia e a proposta do zine.
Um zine por nós mesmos…
Em 2001, Júlio e seu primo criaram o zine “Por Nós Mesmos“, material que era entregue nas festas de rock que eles mesmos organizavam, este material apresentava releases das bandas que tocavam nestas festas. Um tempo depois começaram a fazer entrevistas com bandas, em sua maioria por e-mail (assim como nós do Attack Urbano fazemos) e outras por telefone. Alguns anos depois o grupo cresceu, amigos colaboravam com a correria, que inclusive se tornou um evento, ao qual tive o prazer de conhecer em 2010 em uma das festas que rolou em Campinas (SP). Entre 2001 e 2012 o zine Por Nós Mesmos teve mais ou menos 10 edições.

Júlio conta que “Era tudo muito sem pretensão, feito em colagens, eu agitava com a galera de fazermos uma edição meio quando dava vontade, xerocávamos pouquíssimas cópias, e organizávamos a distribuição em algumas festas que íamos aqui na região de Campinas, Americana, Piracicaba…”.
Passado algum tempo Júlio conta que a maioria da galera “desencanou…”, então ele começou a arquitetar algo com “cara de revista”, mais elaborado mas sem perder a essência “xerox/punk”. Desde o início a ideia era ter uma “revista” que falasse apenas sobre o Hardcore, que fosse plastificada e que tivesse um adesivo dentro, e o principal, ter sua distribuição gratuitamente. Assim surge o Scena Zine, com a primeira edição lançada em novembro de 2013.
Scena Zine pela cena!
Ao perguntar qual a proposta do Scena Zine, Júlio é direto, “A proposta é de fazer somente publicações de bandas que se movimentam onde moram, que fazem algo para melhorar o lugar ou a cena de onde vivem…”. Júlio diz que o material é restrito a pessoas que participam da cena, pessoas e bandas que organizam festas de rock, publicam zines, tiram fotos em shows, publicam em blogs, enfim, que colaboram com a cultura underground de alguma forma. A ideia, segundo Júlio, é disseminar a parte boa que existe dentro do Hardcore, uma cena tão controversa, mas que abriga várias pessoas que fazem um trabalho legal que muitas vezes poucos ficam sabendo.

Júlio conta que o processo da produção do zine é totalmente “Do It Yourself” ou Faça Você Mesmo. Ele entra em contato com o pessoal das bandas via Facebook, e depois troca e-mails com a entrevista e as respostas (mais uma vez digo, que é exatamente como nós do Attack Urbano fazemos na maioria das matérias!) . Quando todo o material digital está em mãos ele faz a edição, e confessa que faz “um pouquinho por semana” pois sua rotina é corrida. Depois de montado, o material vai para as impressões, Júlio diz que a primeira edição foi impressa em uma matriz e as cópias foram feitas em uma loja de Americana (SP), já na segunda ele imprimiu tudo em casa em uma impressora própria a laser.
“Com as cópias em mãos, começa o trabalho mais chato, dobrar folha por folha, de edição por edição, depois eu grampeio uma a uma, enumero, coloco dentro do saquinho com um adesivo dentro, e depois selo…” conta Júlio, criador do Scena Zine. Ele também conta que a primeira edição do zine teve 350 cópias, já a segunda pulou para 500, e que a terceira que já está pronta, terá 500 também. Júlio confessa que um de seus sonhos é ter uma edição com 10.000 cópias, “Ainda chego lá!”.
Confira o vídeo do processos de produção da segunda edição do Scena Zine:
Quando pergunto a Júlio sobre os gastos, prejuízos e apoios do Scena, ele responde com sinceridade “Cara em todas edições eu saio no prejuízo, eu até poderia correr atrás de mais alguns apoios e conseguir mais dinheiro, mas de certa forma acho que isso sairia do foco do zine…”. Ele conta que só busca apoio de pessoas que ele conhece e que tenham haver com a cultura underground, e que geralmente ele banca 40% dos gastos com as edições. O único “problema” que Júlio cita, com tudo isso, além de ter estragado sua impressora depois da segunda edição, é o de gastar com o Scena Zine, mas como ele costuma dizer para quem não é do mundo de perder dinheiro com o rock “Tipo, não tem pessoas que pagam pra alugar quadra pra jogar futebol e etc? A gente gasta dinheiro com isso, mas só quem já arrepiou os pelos do braço, ou chorou ouvindo um som vai entender!”.
A gente gasta dinheiro com isso, mas só quem já arrepiou os pelos do braço, ou chorou ouvindo um som vai entender!
Após a produção do material, Júlio escolhe uma festa ou show que tenha a ver com o zine para começar a distribuição, também procura outros eventos em seguida para distribuir e deixa algumas edições com as bandas que participam das edições, ao qual também acabam ajudando na divulgação. Para a surpresa de Júlio, várias pessoas acabaram entrando em contato para conseguir receber o material, ele conta que tem conseguido distribuir para os quatro cantos do Brasil e que o estado que mais solicita pedidos é o Nordeste. Inclusive Júlio conta também que já enviou algumas edições para Argentina, Chile e Portugal.
Quando questionado sobre qual matéria do zine ele mais gostou de fazer ele responde que “todas sem demagogia nenhuma eu achei muito massa fazer, me emociono só de pensar que fulano ou siclano foi lá, parou um pouco de fazer suas coisas pra responder minhas perguntas, responder pra minha humilde revistinha, xerocada…”. Mas também não esconde que as matérias com a banda californiana Terror e com o antigo vocalista da banda canadense Comeback Kid, Scott Wade foram muito legais de fazer. “Mandei pelo facebok um recado traduzido pelo google tradutor, mó tosco, para os dois, esperando que eles não fossem responder, e acabei tendo essas surpresas, me trataram super bem, e isso foi muito legal pra mim.”.
Confira algumas imagens desde o zine “Por Nós Mesmos” até as edições recentes do Scena:
Júlio diz que a motivação para tudo isso é que todo o pessoal curte a ideia, a abordagem das bandas, delas curtirem estarem no zine. E completa dizendo que o que a galera mais elogia é o fato do zine ser impresso, nada digital “não desmerecendo, mas o lance mais legal do Scena é que ele é impresso, xerocão, estilo anos 90…”.
Quem quiser entrar em contato com o Júlio para receber o material em casa ou conhecer mais sobre o Scena Zine pode entrar em contato pelo e-mail juliodelete@yahoo.com.br ou pela fanpage do Scena Zine no facebook.
Com toda esta dedicação, Júlio e o Scena Zine, nos mostram que o underground mesmo que com seus problemas, sempre terá espaço para quem quiser participar e colaborar mais com esta cultura, além de servir de exemplo para quem acredita na cena hardcore.



Sem dúvida, só quem já arrepiou os pelos do braço, se identificou com um som que fala sobre as dificuldades vividas, sabe o que é sentir o hardcore na essência….
Animal a inciativa do blog, e ainda mais do zine….não por que são meus amigos, mas sem dúvida, é graças a gente que tira as poucas horas de descanso da semana corrida para dedicar para isso, que eu ainda acredito no underground e no espírito do faça você mesmo!
Abração gurizada e muito sucesso!
Léo!